31/01/2011

Destino

Meu coração ainda bate - não sei como, e eu ainda bato em mim mesmo, - e sei o por quê. Pensei: "que homens não passam por isso?" - mas pareceu-me tudo engano. Eu pensava coisas tristes, que não eram sentimentos mas que de tão forte,e, pela minha natureza, acabavam se convertendo em emoções. Emoções de natureza tão forte, que nem eu mesmo era capaz de lutar contra.
Eu que, sempre fui tão resistente, nunca transpareci nada, vi-me desolado, destruindo-me em ruínas de pura lágrima - por não aceitar o que eu era. "Como pude ser tão tolo?" - rasgava-me a pergunta irracional no cérebro e aquele sentimento inóspito e extravagante, como um tornado, o coração.
"O que te fez ser assim?!" - O ponto de pergunta de amor e o ponto de exclamação de ódio lutavam em mim para conseguir a resposta. Ódio e amor, como é possível, e os traços dessa imensa batalha eram lágrimas. Lágrimas amargas nos meus olhos. Rançosas de tanta esperança - densas de agonia por não consegui-las.
Pergunto ao Sol até hoje "diga-me o por quê de mim - de existência tão errada..." -- E nos extravagantes ventos da vida atingem-me as respostas, como cometas bombardeiam a vida em um planeta. "E por que não entro em extinção?! Por que, se sou tão errado... Não nasci na contra-mão, e nem no sentido certo, - fui perdido no caminho... Ou a minha vida se perdeu?!"
Quem responde é anjo mas não tem asas - passa-me pelo peito como um vulto morto, mas cheio de vida, todos os dias. Sou eu! E, sou eu quem, através de pensamentos contorcidos como ferro, depois de uma batida de carros, o retorce e contém. E reciclo o que não se deve. Jogando fora o que deve-se manter. Sou eu essa hipérbole da arrogância, esse preconceito contra si mesmo, devastador, - Sou EU, quem morre de sua própria pessoa!
Sou eu quem não relaxa e goza até mesmo quando esta gozando. Sou sofrêgo, sou minha imagem de felicidade enquanto o meu corpo atrás de mim esta morrendo...
Meu primeiro amor foi meu primeiro ódio. Foi amargo por dentro, doeu-me a alma. Apodreceu meu amar. Meu segundo amor, ah, doce. Mas triste, também, porque não sei se o amo direito. E não me importo de ser chamado de monstro por ele, acho até um elogio, pois o monstro que ele me chama não é nada comparado com o qual eu sei que sou.
E hoje, já não tenho mais medo de ficar sozinho, não tenho mais medo de mim - tive que aprender que é de venenos que me alimento. E foi a melhor experiência da minha vida; saber que sou uma merda.

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